[Crítica]

Quando eu era menor, talvez por viver em um ambiente cristão, acreditava que demoraria muito para que a religião desaparecesse (pelo menos a cristã). Fui crescendo e tentando aprender mais sobre a bíblia, mastigando cada capítulo por mim mesma, tentando criar uma convicção própria.
A religião não está ruindo, por partes, por conta das tantas direções, e sim, pela guerra que existe entre elas. Outro dia estava assistindo uma entrevista entre Marília Gabriela e um padre. Quando ele foi questionado sobre a perda de fiéis da igreja católica para a protestante, ele esboçou um sorriso e falou algo como: "Não são fiéis, pois aqueles que abandonam a igreja católica nunca pertenceram a ela e isso não nos preocupa". Eu, particularmente, esperava qualquer outra resposta. Ele me levou a ter uma interpretação ruim pelo que disse. Cristãos são cristãos e deveriam se unir em prol das suas convicções parecidas. Não existe infidelidade, pessoas que mudam de caminho não podem ser consideradas infiéis a Deus.  
Minha geração está repleta de pessoas que não creem, não sentem nem seguem qualquer tipo de conduta religiosa. Ciências como história e filosofia contribuem com a ideia de que a religião é uma fraude, uma forma de alienação para controlar a mente das pessoas.
Para mim não importa se o cristianismo foi criado por Roma como forma de alienação. Interessa que séculos antes um profeta previu a vinda de um homem, filho de Deus, que mudaria a vida de muitas pessoas, mudaria toda a filosofia existente, a relação entre o certo e o errado, pregaria o perdão, o amor, a união. Um homem que foi morto pelos seus, porque o poder não poderia ser destruído pela esperança de um povo. E mesmo que os preceitos religiosos estejam caminhando ao apocalipse, seguir os seus ensinamentos, para mim, já é o suficiente.

Maria Eduarda Nascimento

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