Cangaço Groove: Crônica

Cangaço Groove: Crônica:


Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá. 
Já a minha tem batuque, tem o frevo, tem o coco 
e um pouco de orixá.

 Nasci numa cidade considerada interior do Brasil. Uma cidade, que lá no sul, só tem gente feia, só tem gente burra e que não é cega, como os preconceituosos que se negam a enxergar a diversidade da minha terra.

Pernambuco é o seu nome, o nome do maior pólo cultural do Brasil. Um dos maiores contribuidores para a cultura mais admirada do mundo. A terra dos pés descalços, a terra do Antigo, terra do frevo, terra de Lenine, Olinda de Alceu.

Salve ó Terra dos altos coqueiros, tu que abrigas tantos aspectos, tantos climas, tantas cores. Faz inveja a qualquer Europa, com tuas praias mais belas à direita e teu frio, teus montes ao ocidente. Teus bravos filhos guerreiros, que conquistam espaço no mundo, representam teu símbolo ao longe, revestindo teu nome de glória.

Tenho orgulho de gritar para o mundo que foi aqui que o Rei do Baião, virado na gota, recitou as suas leis, cantando e encantando o país. Que na rua da união, em 1886, nasceu parte do movimento modernista, infiltrada em Manuel Bandeira...

Hoje invejam o meu lar. Meu Estado é o que mais cresce financeiramente no Brasil, mas não é só isso. Só aqui tem gente arretada, tem fuleiro, tem avexado, tem tabacudo, cabra macho. Gente como Abreu e Lima, Ariano, Dom Helder Câmara... E eu fico invocada com quem acha isso pouco.


Maria Eduarda Nascimento

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