Borrão
Com
a caneta da lista de presentes de natal, enquanto ouvia meus pais discutindo o
tão caro que foi mandar fazer as pequenas reformas da casa, escrevi seu nome na
minha perna, o único lugar onde direcionei a minha visão. Fiquei um tempo
analisando cada letra, como se buscasse nisso uma solução para o que estava
acontecendo.
Não
chegando a uma conclusão, continuei a escrever, como uma forma de ajuda para
mim mesma, apelando para que isso ficasse como tatuagem, para que eu pudesse
olhar todos os dias e lembrar e ficar orgulhosa pela escolha que fiz, para que
pudesse acreditar que foi incrível, que foi o melhor para nós.
“Estou
te apagando da minha vida até que você reescreva seu nome nela”. Após ler a frase
várias e várias vezes, passei o dedo em cima das cinco letras do seu nome e ele
enfraqueceu, virou um borrão vermelho e enfim apagou.
Maria Eduarda Nascimento







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