O poço
Com uma gigantesca caixa em mãos
olhei para o fundo. Abri. Rasguei e lancei os textos e as conversas; enchi minhas mãos com as
músicas e as soltei; as fotos foram as terceiras a cair, depois as seguiram o
ressentimento, a raiva e custei, mas lancei a uma grande parte da dor. Ainda
restavam a aliança, a carta, a medalhinha, as lembranças e o perdão. Os quatro
primeiros, eu achei melhor manter bem fechados, para não precisar, nem
conseguir, vê-los. O perdão, eu guardei
no bolso da calça, para um dia conseguir usar.
Olhei mais uma vez para o fundo
do poço, me despedi daquelas coisas que boiavam e me senti agradecida por não
tê-las acompanhado. Coloquei a caixa debaixo do braço e fui andando na direção
dos amigos que me esperavam. A joguei no porta-malas, respirei fundo, sorri e
me senti segura para seguir.
Maria Eduarda Nascimento








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