Crônicas da Boa vista


Enquanto tentava me esquivar da multidão o observei no meio dos pais, sentado no chão. O pai estava debruçado em materiais artesanais, assim como a mãe.  Encostada na parede havia uma rede com muitos dos acessórios já prontos. Ambos os pais tinham cabelos bagunçados, num estilo bem natural e o mesmo acontecia com as roupas. Na mão do menino tinha uma caneta com a qual tentava, como um desafio, contornar as tatuagens da mãe e depois desenhar em si mesmo. 
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Atravessei a ponte Duarte Coelho e avistei de longe livros espalhados pela calçada e umas seis figuras revirando-os em busca de um que lhes fosse interessante. Das seis pessoas, quatro faziam parte de uma família. A mãe, relativamente simples e jovem,  segurava a mão do menor que olhava os livros infantis. O outro menino , de shorts acima da cintura e óculos de lentes muito grossas, olhava para o pai e sorria demostrando uma felicidade incomum enquanto abraçava um livro velho de capa dura e com número de paginas bem significativo para alguém tão pequeno. 
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Peguei o ônibus e me sentei, abri um livro de Sherlock Holmes na primeira pagina, enquanto ouvia uma musica tão alta que fazia os dois senhores ao meu lado balançarem a cabeça no mesmo ritmo que eu. Uma mulher surgiu com um recém nascido no braço, vestido com um pijaminha verde água.  Distribuiu a todos um papel que dizia: “ me ajude a comprar comida pra minha família" , o que me fez abrir a bolsa na esperança de realmente encontrar algum dinheiro. Não encontrei. Devolvi o papel. Ela ficou triste, eu fiquei triste. Puxei o celular e escrevi sobre tudo que eu vi. 

















Maria Eduarda Nascimento

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